Judicialização da saúde
A ineficiência estrutural e a afirmação dos direitos da personalidade
Palavras-chave:
Direito à Saúde, Políticas públicas, HumanizaçãoResumo
Este estudo analisa a judicialização da saúde no Brasil como reflexo de uma construção estrutural ineficaz da saúde, pautada na precariedade da gestão pública, e da afirmação crescente dos direitos da personalidade. Por meio de revisão bibliográfica e análise documental, a pesquisa identifica que a maioria das ações judiciais está relacionada à obtenção de medicamentos, procedimentos e tratamentos, muitos já previstos nas políticas públicas, mas que evidenciam a falta de resolutividade administrativa e da comunicação deficiente entre profissionais de saúde e pacientes, afastando-se do método clínico centrado na pessoa. A atuação do Poder Judiciário, embora possa garantir o acesso a direitos, tem acarretado tensões técnicas e orçamentárias, podendo comprometer, inclusive, a equidade do sistema. O estudo destaca também o crescimento das demandas envolvendo a saúde suplementar e a percepção do Judiciário como via mais eficaz para a solução de conflitos em saúde, sem que se considere alternativas à judicialização. Esta análise reforça que a judicialização, embora legítima, deve ser compreendida como fenômeno multifatorial, que demanda uma abordagem integrada entre direito, saúde pública, bioética e gestão. Por fim, o trabalho aponta que é necessário fortalecer instâncias resolutivas, investir em políticas públicas que valorize a dignidade do paciente, buscando um equilíbrio entre justiça individual e necessidades coletivas. Como limitação, ressalta-se a ausência de dados empíricos e a dificuldade de captar toda a diversidade regional do Brasil. A pesquisa reafirma o papel do Judiciário na efetivação do direito à saúde, mas alerta para os riscos de sua atuação sem critérios técnicos claros.
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Referências
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