Cotas raciais no Brasil

Entre a retórica da igualdade e a realidade da exclusão

Autores

  • Tatiana Manna Bellasalma e Silva  Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ Autor
  • Adriel Francisco Maciel Correia  Universidade Cesumar - UniCesumar Autor
  • João Pedro Leite  Universidade Cesumar - UniCesumar Autor
  • Gabriel Maia Peres  Universidade Cesumar - UniCesumar Autor

Palavras-chave:

Discriminação estrutural, Raça e cor, Reparação histórica

Resumo

A persistência das desigualdades raciais no Brasil é reflexo de um histórico de exclusão institucionalizado desde o período escravocrata. Após a abolição em 1888, a ausência de políticas reparatórias aprofundou a marginalização da população negra, dificultando seu acesso à educação, ao mercado de trabalho e à propriedade de terras. Essa exclusão consolidou barreiras estruturais que permanecem até hoje, evidenciando a necessidade de medidas institucionais para mitigar os impactos do racismo estrutural. As cotas raciais emergem como instrumentos fundamentais para a promoção da equidade social, funcionando como uma resposta direta às disparidades históricas. A Lei nº 12.990/2014, que reserva 20% das vagas em concursos públicos para candidatos negros, representa um avanço na busca pela inclusão e justiça social. No entanto, sua implementação ainda enfrenta resistências, fundamentadas em concepções equivocadas de meritocracia e na negação da dívida histórica do Estado brasileiro. O problema que orientará o presente estudo consiste em que medida a persistência das desigualdades raciais no Brasil, considerando a histórica marginalização da população negra e a presença de discursos que se opõem às políticas de reparação com base em um ideal de meritocracia, interferem na efetividade da política pública voltada a inclusão do grupo de estudantes negros em fase de ingresso no ensino superior? Essa problemática busca compreender de que forma tais discursos interagem com as estruturas históricas e institucionais. A hipótese inicialmente lançada consiste em estabelecer que as desigualdades raciais persistem devido a estruturas históricas e institucionais autônomas, as quais operam além das críticas retóricas baseadas em mérito. Dessa forma, a implementação de políticas afirmativas, especialmente as cotas raciais, é indispensável para retrair o legado de exclusão e promover uma redistribuição de oportunidades mais justa, enfrentando as barreiras estruturais que sustentam a desigualdade. O referencial teórico deste estudo sustenta que o racismo no Brasil não é apenas um fenômeno individual, mas uma estrutura que organiza o acesso a direitos e oportunidades. Autores como Djamila Ribeiro, Silvio Almeida e Lincoln Frias apontam que a desigualdade racial não pode ser corrigida apenas por mecanismos oratórios de igualdade, sendo necessárias políticas afirmativas para equilibrar um cenário profundamente desigual. O Supremo Tribunal Federal reafirmou a constitucionalidade das cotas na ADC 41, reconhecendo sua compatibilidade com os princípios da igualdade e da justiça social. Dados do IBGE demonstram que a população negra ainda enfrenta maiores índices de pobreza, menor escolaridade e maior vulnerabilidade no mercado de trabalho. A ausência de políticas reparatórias no pós-abolição perpetuou a exclusão dessa parcela da sociedade, evidenciando a importância das cotas como mecanismo para reduzir as disparidades históricas. O presente estudo reforça que as ações afirmativas não são privilégios, mas instrumentos necessários para a construção de uma sociedade mais justa. A implementação eficaz das cotas raciais deve ser aprimorada, garantindo mecanismos de heteroidentificação e fiscalização para evitar fraudes e assegurar sua finalidade. Ao reconhecer o racismo como um problema estrutural, este trabalho evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à reparação e à inclusão da população negra no Brasil. 

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Referências

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Publicado

20-06-2024

Edição

Seção

DIREITO CONSTITUCIONAL, SOCIEDADE, JUSTIÇA E DEMOCRACIA

Como Citar

Cotas raciais no Brasil: Entre a retórica da igualdade e a realidade da exclusão. Anais do CDU - Congresso de Direito UniCesumar, [S. l.], p. 1352–1362, 2024. Disponível em: https://lgpublica.com/index.php/anaiscdu/article/view/406. Acesso em: 2 mar. 2026.

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