Do encarceramento feminino e seus impactos no estatuto da primeira infância
Palavras-chave:
Encarceramento feminino, Primeira infância, Direitos da criançaResumo
O presente estudo analisa os impactos do encarceramento feminino à luz do Estatuto da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), com enfoque na proteção integral e no melhor interesse das crianças cujas mães se encontram privadas de liberdade. Parte-se da constatação de que o crescimento expressivo da população carcerária feminina no Brasil, em grande parte composta por gestantes e mães de crianças de até 12 anos, evidencia graves desafios sociais e jurídicos. A pesquisa examina as alterações legislativas promovidas pelo Estatuto da Primeira Infância e pelo Código de Processo Penal, especialmente a possibilidade de substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar, bem como o impacto do Habeas Corpus Coletivo nº 143.641, concedido pelo Supremo Tribunal Federal em 2018. Por meio de pesquisa bibliográfica e análise de dados oficiais divulgados por órgãos como o DEPEN e o INFOPEN, o estudo demonstra que o ambiente prisional brasileiro é inadequado para o desenvolvimento infantil, carecendo de infraestrutura mínima, como creches, berçários e condições para o exercício da maternidade. Os resultados indicam que o encarceramento feminino afeta diretamente o desenvolvimento emocional, psicológico e social das crianças, comprometendo a formação de vínculos afetivos essenciais na primeira infância. Conclui-se que, embora o Estatuto da Primeira Infância represente um avanço normativo relevante, sua efetividade depende da implementação de políticas públicas e práticas institucionais que assegurem a dignidade das mães encarceradas e a proteção integral dos direitos das crianças.
Downloads
Referências
BRASIL. DEPEN. Departamento Penitenciário Nacional. Disponível em: <https://www.gov.br/senappen/pt-br/pt-br/servicos/sisdepen> Acesso em: 23 de mar. 2024.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). Resolução n. 369, de 19 de janeiro de 2021. Dispõe sobre a substituição da privação de liberdade de gestantes, mães, pais e responsáveis por crianças e pessoas com deficiência. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/01/manual-resolucao-369.pdf>. Acesso em: 15 mar.2024.
VIAFORE, Daniele. A Gravidez no Cárcere Brasileiro: Uma Análise da Penitenciária Feminina Madre Pelletier. Publicado na Revista de Direito da PUCRS. Direito & Justiça, ano XXVII, v. 31, n.2, p. 91-108, 2005. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fadir/article/view/571. Acesso em: 10 mar.2024.
DIUANA, V.; CORREA; M. C. D. V.; VENTURA, M. Mulheres nas prisões brasileiras: tensões entre a ordem disciplinar punitiva e as prescrições da maternidade. Physis: Revista de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. 727-747, 2017.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Anais do CDU - Congresso de Direito UniCesumar

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
