Black mirror e a queda livre em direção a ruína social
Palavras-chave:
espetacularização, reputação, tecnovigilânciaResumo
O estudo analisa criticamente os impactos do avanço tecnológico e da centralidade das redes digitais sobre o comportamento humano e as relações interpessoais, a partir da leitura do episódio “Nosedive” da série Black Mirror. Parte-se da constatação de que a sociedade contemporânea passou a atribuir elevado valor à validação pública mediada por plataformas digitais, nas quais avaliações, curtidas e índices de popularidade influenciam o acesso a oportunidades, bens e relações. A pesquisa articula essa representação ficcional com fenômenos observáveis na sociedade da informação, especialmente a busca incessante por aceitação, a padronização de comportamentos e a construção de identidades idealizadas. Discute-se a aproximação entre o enredo analisado e a teoria da Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord, evidenciando a substituição da experiência autêntica por imagens e performances voltadas à aprovação social. São examinadas, ainda, as repercussões desse modelo sobre os direitos da personalidade, como honra, imagem, privacidade e integridade psíquica, à luz do ordenamento jurídico brasileiro. Metodologicamente, adota-se o método hipotético-dedutivo, com pesquisa bibliográfica e documental, incluindo obras teóricas, produções audiovisuais e legislação pertinente. Os resultados indicam que a obsessão por reconhecimento digital pode gerar relações superficiais, sofrimento psicológico e mecanismos sutis de controle social, aproximando ficção e realidade. Conclui-se que a reflexão crítica sobre o uso excessivo da tecnologia é essencial para fomentar consciência social, preservar a dignidade humana e estimular práticas mais equilibradas nas interações mediadas por dispositivos eletrônicos.
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Referências
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